Ouvi sem querer

Diálogo entre uma indiscreta e uma discreta:
– Me conta, mulher, você fez a operação no períneo?
A outra deve ter confirmado discretamente. A indiscreta fez outra pergunta:
– Depois da operação, você já deu uma “namorada”?
A discreta não ouviu (ou fez que não ouviu). A indiscreta insistiu:
– Depois da operação, você já deu uma “inaugurada”?
 
Não ouvi mais o restante dessa conversa sobre recauchutagem, pois tive que me afastar.
 
H.
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Diálogo

– Hoje é quinta-feira.
– Pensei que fosse quarta-feira!
– Não, vocês estão enganados, hoje é quinta-feira.
*
Diálogo, imaginado por mim, entre a tripulação da esquadra de Fernão de Magalhães (expedição marítima que efetuou a primeira viagem de circunavegação na Terra) e os habitantes de Cabo Verde (África) em 09/10 de julho de 1521.
 
A tripulação que fora para a margem comprar alimentos traz, assombrada, a notícia de que em terra é quinta-feira enquanto no navio (Victoria) lhes haviam assegurado de que era quarta-feira. O escrivão Pigafetta se surpreende , pois durante os quase três anos de viagem manteve fielmente um diário. Ele confere com um piloto da tripulação que igualmente registrou em seu diário de bordo todos os dias, e, de acordo com a sua conta, também seria quarta-feira.
 
Ao navegar sempre para o Oeste, os tripulantes "perderam" inexplicavelmente um dia do calendário e a informação sobre esse estranho fenômeno surpreendeu o mundo culto da época. Provou-se definitivamente através de uma observação exata a hipótese formulada por Heráclito cerca de 400 anos antes de Cristo, que a Terra não repousa rigidamente no Universo, mas que gira num ritmo regular em torno de seu próprio eixo, e que, quem vem do Oeste acompanhando-a em sua marcha giratória pode "roubar" tempo à eternidade.
 
Citado no livro "Fernão de Magalhães- O Homem e a sua Façanha" de Stefan Zweig (edição 1999, página 266).

Diálogo

– E para o céu os cristãos também vão?
– Sim, vão para o céu se forem bons e morrerem na graça de Deus.
– Se os cristãos vão para o céu, eu não quero ir para o céu. Nunca mais quero encontrar um povo mau e cruel como os cristãos que matam e escravizam os índios.
*
Diálogo entre o cacique Hatuey e um padre, que tentou convertê-lo ao catolicismo antes de ser queimado vivo pelos conquistadores europeus no século XVI.
 
Citado no livro "O Cosmos de Humboldt" de Gerard Helferich (edição 2005, página 219).