Professora da Unit é afastada por racismo [em Aracaju-SE]

Isso vai ao encontro, digo vai de encontro aos princípios do jurista romano Ulpiano (e que é um lema da própria Unit):
“Viver honestamente, a ninguém ofender, dar a cada um o que é seu”.
Hugo
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Sala de aula lotada no dia 25 de abril [2006]. Os 60 alunos do 1º período do curso de Direito da Universidade Tiradentes esperavam ansiosamente pelo início dos debates da aula de português. Às 19h25, a professora Maria Euda de Lima indagou aos alunos qual a diferença entre convencer e persuadir. Rodrigo Vieira de Araújo, 19, respondeu à questão e foi surpreendido pelo exemplo citado pela professora para complementar sua resposta. De acordo com o documento de denúncia do Departamento de Assuntos Acadêmicos da Unit (DAA) preenchido pelo aluno, Maria Euda teria afirmado que, por exemplo, ninguém conseguia persuadir quanto à posição dela em relação ao racismo e teria repetido, por três vezes, que era racista. Rodrigo, único aluno negro da turma, sentiu-se pessoalmente ofendido pelo tom de voz empregado pela professora, retirou-se da sala e buscou a coordenação do curso para fazer a denúncia. O estudante ainda conseguiu a assinatura de sete colegas de turma que testemunharam o ocorrido.
Para completar o relato, segundo o documento, a professora ainda expôs em sala de aula o caso da apresentadora de televisão Maria da Graça Xuxa Meneghel, que namorou o então jogador de futebol Édson Arantes do Nascimento. “Nunca que uma galega como Xuxa iria estar verdadeiramente apaixonada por um negro como Pelé”, diz o documento. “Ela feriu um direito constitucional. Segregação racial é um crime inafiançável. Ela pode até ter esse sentimento latente dentro dela e expressá-lo dentro de casa para seus familiares, mas dentro do convívio social ela tem que entender que está sob a lei como qualquer outra pessoa. Além disso, ela não é uma pessoa leiga. Pior ainda, ela é uma professora do curso de Direito”, comenta Robson Araújo, pai do aluno.
Às 21h do mesmo dia, munido do documento da universidade, o estudante foi acompanhado de seu pai à Delegacia Plantonista do conjunto Augusto Franco e prestou queixa contra a professora. No dia seguinte, eles foram informados pelo coordenador do Curso de Direito da Unit, Ronaldo Vieira de Almeida, que a professora confirmou o acontecido e por conta disso foi afastada do cargo. Em nota, o pró-reitor adjunto de Graduação da Universidade Tiradentes, Dario Arcanjo de Santana, informou que a questão está sendo analisada pela Assessoria Jurídica e pelo Conselho Superior da instituição. “A Unit não compactua com esse tipo de posicionamento ou pronunciamento, pois durante toda a sua existência jamais discriminou nenhum dos seus alunos ou funcionários. Ao contrário, suas ações têm sido de inclusão social. Estamos apurando os fatos e nos posicionaremos no momento certo”, afirmou o pró-reitor.
Medidas
Mesmo tendo consciência da realidade social do país, Rodrigo Araújo quase perdeu um dia de aula pelo acontecido. “Sempre tentei preparar meus filhos caso eles sofressem algum tipo de preconceito. Mesmo assim, Rodrigo não queria ir à universidade com medo que a professora ainda estivesse lá e o repreendesse de alguma forma. Foi difícil, mas consegui convencê-lo a ir”, explicou o pai do aluno, que decidiu tomar diversas medidas em relação à atitude da professora. Primeiro, Robson entrou em contato com o sindicato dos professores da rede estadual. “Fomos saber se ela era professora da rede estadual, pois se os alunos da rede particular sofrem esse tipo de coisa, imaginem os alunos da rede pública, que são mais indefesos, justamente por conta da camada social a que pertencem”, justifica. Em seguida, Rodrigo e seus colegas de turma buscaram o apoio do Ordem dos Advogados do Brasil da seccional Sergipe. “Agora entraremos com uma ação na Justiça contra ela”, declarou o pai do aluno.
No Brasil hoje, apenas 6% das vagas nas universidades são ocupadas por pessoas negras. Na Universidade de São Paulo, uma das maiores do país, apenas 1,6% dos alunos são negros. “Estamos na iminência do dia 13 de maio, dia da assinatura da Lei Áurea, e precisamos continuar buscando um ambiente social favorável e mais justo. Esperamos que a abrangência desse fato traga mais discussões sobre o assunto”, comenta Robson Araújo .
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